Sobre o vazio e a dificuldade em escrever algo..

A folha em branco pede que você a suje com tinta ou grafite
o cerebro trabalha a mil,
as sinapses se desencadeiam de modo frenético
e a única coisa que você produziu até agora
foi um ponto preto, onde você apoiou o lápis.
.
Vazio..
.
Começo a me perguntar aonde foi parar aquela facilidade em escrever,
toda aquela criatividade que pululava nos meus pensamentos.
.
Foi embora..
.
Escrevo uma, duas linhas.
Não gosto, apago e recomeço tudo de novo.
Sou um escritor exigente
e ao mesmo tempo displicente.
Que levou ao pé da letra aquele termo chamado
procrastinar.
.
Nada ainda..
.
Penso em desistir, deixar pra outro dia
e quem sabe algo bom surja.
Não.
Tenho que sair desse meu ciclo vicioso,
me desvincilhar dessa mania de
empurrar tudo com a barriga.
.
Surge uma centelha,
aleatoriamente jogo palavras sobre a folha outrora em branco.
Logo, toda aquela dificuldade ganha vida,
vira verso e prosa.
.
E a dificuldade se transforma em poesia.
Confesso, não é o que gostaria de ter escrito.
Mas como diria uma frase conhecida:
‘É o que tem pra hoje’. 
 

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